Angola: empresa chinesa Citic Construções e as práticas de “confinamento forçado e maus tratos, há dois anos”

Washington D.C – Rádio Angola Unida (RAU) – 239ª Edição do programa “7 dias de informação em Angola, apresentado no dia 11/04/2021, por Serafim de Oliveira com análises e comentários de Carlos Lopes:

  • Angola vai realizar, de 25 a 27 deste mês, a I Conferência Internacional de Diamantes, em Saurimo, capital da província da Lunda Sul, para a atração de investimentos, informou hoje o secretário de Estado para os Recursos Minerais. Jânio Correia Victor, que falava em conferência de imprensa para anunciar o evento, disse que a conferência tem entre outros objetivos dar a conhecer as inúmeras oportunidades de negócio no subsetor dos diamantes e continuar a dar credibilidade ao setor mineiro nacional, bem como dar a conhecer nacional e internacionalmente o valor do diamante angolano. “Nós estamos direcionados em primeiro lugar a dar a conhecer o que é o diamante angolano de facto, isto é muito importante. O diamante para além de uma ‘commoditie’ é recurso mineral estratégico, mas que ocorre no nosso país em condições próprias”, referiu Correia Victor. O governante angolano salientou ainda que para o evento, que se baseará em apresentações e debates interativos, assim como mesas redondas, foram convidados especialistas nacionais e internacionais, ligados ao mundo dos diamantes e grandes multinacionais que já operam em Angola, nomeadamente Al Rosa, Rio Tinto e Anglo American, entre outras que Angola está a trabalhar no sentido da sua presença no país. “A todas elas foi feito convite, em alguns casos, quase todos temos respostas afirmativas e depois estamos ainda à espera, porque neste momento temos ainda três semanas praticamente do início desse evento”, referiu. Segundo Jânio Correia Victor, foram enviados convites a algumas distintas personalidades do setor mineral de vários países vizinhos, nomeadamente Namíbia, Botsuana, República Democrática do Congo, além de representantes máximos de empresas que colaboram com Angola na exploração, lapidação e comercialização de diamantes. “Muitos já confirmaram, senão a maioria, os outros estão em processo de confirmação, mas o que podemos afirmar neste momento é que a nossa conferência estará recheada de atores tanto a nível nacional como internacional que têm a ver com os diamantes”, referiu o governante angolano.
  • O Sindicato Nacional dos Professores (Sinprof) de Angola denuncia casos de corrupção, amiguismo, proteccionismo e compadrio em algumas escolas públicas na gestão dos quadros contratados nos concursos públicos. O seu secretário-geral, Admar Ginguma, disse à VOA haver concorrentes aprovados nos últimos concursos que nunca foram às escolas onde foram colocados, “mas recebem os salários integralmente por, alegadamente, gozarem de protecção por parte dos gestores escolares”. Segundo Ginguma, muitos professores contratados tiveram direito a bolsas de estudo e mantiveram os seus ordenados, enquanto outros têm a liberdade de escolher os horários de trabalho que lhes convêm. “E nós, enquanto sindicato, não decidimos nada, apenas denunciamos quando as coisas chegam aos extremos”, disse secretário-geral do Sinprof, quem revelou ainda que muitos responsáveis não têm qualquer formação em gestão escolar e alguns são recrutados apenas por simpatia partidária. “Há problemas de gestão de quem traça as políticas e ao nível de gestão escolar”, afirmou Admar Ginguma, para quem a persistência destes vícios põe em causa a boa gestão escolar e os planos e os programas do governogizados para o sector da Educação. O sindicalista fez estas declarações a propósito da abertura de um novo concurso público para o ingresso na Educação. Em nota enviada às redacções na semana passada, o Ministério da Educação fez saber que prevê recrutar, nos próximos tempos, 7.500 novos profissionais, entre educadores de infância e professores para o ensino primário e secundário. Os termos do concurso público, segundo a nota, obedecem às normas estabelecidas no despacho conjunto dos ministros das Finanças, Educação e da Administração do Território e demais legislação aplicável.
  • O departamento de análise económica do Instituto Financeiro Internacional (IFI), que representa os credores da dívida a nível mundial, antevê uma recessão de 1,6% em Angola este ano, num relatório sobre a África subsaariana. De acordo com os dados do relatório sobre os fluxos de capital em dez economias da África subsaariana, entre as quais Angola, a economia deste país lusófono deverá continuar a queda iniciada em 2016, registando uma contração de 1,6% este ano, seguida de um crescimento de 1,9% no próximo ano. No relatório, enviado aos credores e a que a Lusa teve acesso, o líder do departamento de pesquisa económica para a região, Benjamin Hilgenstock, escreve que “os mercados de fronteira da África subsaariana estão a emergir do choque pandémico, mas o crescimento é comparativamente fraco”. Para este ano, o IFI prevê que os dez países analisados na África subsaariana (Angola, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Quénia, Nigéria, Senegal, Tanzânia, Uganda e Zâmbia) cresçam 3,5%, registando uma expansão de 3,7% em 2022. “Projetamos uma forte recuperação no fluxo de capitais não residentes para 53,5 mil milhões de dólares [46,1 mil milhões de euros] em 2021, comparados com os 21,1 mil milhões de dólares [18,1 mil milhões de euros] do ano passado”, escrevem os analistas, alertando que “apesar de a recuperação do Investimento Direto Externo ser robusta, investimentos persistentemente mais elevados serão necessários a médio prazo”. No documento, escrevem que o Fundo Monetário Internacional, nomeadamente através da emissão de Direitos Especiais de Saque, de um “apoio crítico” à região, que vai continuar a merecer o apoio das instituições financeiras multilaterais para sustentar a recuperação económica, ainda que com níveis menores e com muitas condições impostas. Angola e Nigéria, beneficiando da subida dos preços do petróleo, a principal fonte de receitas nos dois países, enfrentarão menos riscos de financiamento, concluem os economistas.
  • A polícia angolana vai investigar uma denúncia de funcionários da empresa chinesa Citic Construções, sobre um alegado “confinamento forçado e maus tratos, há dois anos”, em estaleiros da construtora nos arredores da centralidade do Kilamba. Segundo noticiou hoje a Emissora Católica de Angola, citando um dos responsáveis dos trabalhadores angolanos, os operários da construtora chinesa, instalada no município de Belas, em Luanda, estão também “proibidos de ter contacto com o exterior, inclusive com os familiares, sob pena de serem demitidos”. A Lusa contactou o Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, que prometeu investigar o caso. Familiares destes veem-se “obrigados” a deslocaram-se à empresa para terem acesso aos salários em consequência da limitação dos parentes que aí trabalham, referiu. Travar a propagação da covid-19 no interior dos estaleiros da construtora, que edificou as cidades do Sequele e do Kilamba, zonas norte e sul de Luanda, é a razão do “confinamento forçado”, desde dezembro de 2019, como referiu a fonte da emissora, “lamentando” a situação. Por falta de novas empreitadas, os funcionários estão a prestar serviços de pastorícia, agricultura, limpeza e reparação de viaturas e denunciam igualmente baixos salários e péssimas condições laborais e de alimentação. Os funcionários pedem também “intervenção urgente” das autoridades.

Prof.kiluangenyc@yahoo.com. RAU – Rádio Angola Unida -Uma rádio ao serviço dos angolanos, que não têm voz em defesa dos Direitos Humanos e Combate a Corrupção, em prol de um Estado Democrático e de Direito, apostando no Desenvolvimento sustentável e na dignidade do povo soberano de Angola. Os programas da Rádio Angola Unida (RAU) são apresentados e produzidos em Washington D.C.

Author: angolatransparency

-Impulsionar os cidadãos angolanos a questionarem como o erário público é gerido e terem a capacidade de responsabilizar os seus maus gestores de acordo com os princípios estabelecidos na Constituição da República --Boost the Angolan citizens to question how the public money is managed and have the ability to blame their bad managers in accordance with the principles laid down in the Constitution of the Republic-------------- Prof. N'gola Kiluange (Serafim de Oliveira)

Leave a Reply

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: