Angola: Ameaça Eminente e Recorrente à Paz Social

Por Prof. N’gola Kiluange

Washington D.C – Com o respectivo aumento do apontar de dedos entre os Estados Unidos, a China e a Russia, países emergentes como Angola poderão ver comprometidos os seus processos de democracia embrionária.

As suas condições específicas de crescente vulnerabilidade da paz social, pelo menos nos últimos dois anos, requerem um maior envolvimento e engajamento imediato de todas as vertentes políticas e sociais. Todos os estratos sociais da sociedade civil angolana devem estar envolvidos no processo de decisão da gestão fiscal do erário público, bem como do destino político do país.

Qualquer tentativa de aproveitamento político ou económico, principalmente, dos intervenientes imprescindíveis do  xadrez político nacional poderia suscitar dúvidas e desconfiança, afastar  a oportunidade para um diálogo franco e aberto. A luta pelo poder económico prejudica uma frágil estrutura de convivência social.

A regressão social generalizada, aterrorizante prostituição infantil , índice alarmante de criminalidade, acusações e detenções politicamente motivadas, sentenças judiciais abusivas e repreensíveis, restrições e violações flagrantes da liberdade de expressão,etc., deveriam servir de bússola moral para “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”.

Aparentemente, os esforços desta governação para mitigar os crescentes problemas sociais e garantir a sua reeleição têm gerado graves conflitos de interesses em relação às prioridades políticas emergentes, quer a nível económico, quer político.

A  manutenção do poder é sem dúvida nenhuma o ulterior objectivo do actual líder do partido governante; a sua carreira política e a do próprio MPLA estão em risco. Notavelmente, há falta de vontade política para realizar eleições locais e, portanto, a falta de eleições torna-se num acto político deliberado de má-fé com desrespeito às leis e à dignidade humana.

O compasso de espera é claramente a melhor tática para quem quer sobreviver no actual clima político; permanecer vigilante em busca de um ambiente político favorável a si e ao seu partido.  Os atrasos na aprovação de leis essenciais para a realização da autarquia é uma prova inequívoca da determinação do MPLA e do seu líder em agir sem levar em conta as consequências.

Contudo, o processo de preparação e marcação das próximas eleições gerais pode depender de várias circunstâncias atenuantes: o desdobrar das relações políticas e económicas entre os Estados Unidos, a China e a Rússia, melhorias da qualidade de vida dos cidadãos, evolução dos serviços públicos, aumento da oferta de emprego, abastecimento de água potável.

A campanha pré-eleitoral actualmente em curso no país serve não só para atestar o cumprimento do calendário das eleições, mas também é uma grande oportunidade para observar como a máquina governativa repressiva funciona em períodos de escrutínios eleitorais. É mobilizado todo um aparato de contra-inteligência apoiado por serviços secretos chineses e russos, especialistas brazileiros de campanhas de desinformação e propaganda política enganosa,etc.

Cabe aqui ressaltar que no decurso da campanha pré-eleitoral corrente possam surgir circunstâncias agravantes em que o actual guardião do poder político,  numa vã tentativa de perpectuar o status quo, venha a recorrer ao massivo apoio militar e a assistência financeira de qualquer umas potências económicas, de preferência Russa ou Chinesa ou ambas.

As experiências do passado são agonizantes e na verdade ninguém nos pode garantir que essa ambição política maléfica não seja novamente utilizada pelos detentores do poder no país.

Urge, assim, a realização de um conferência nacional  com  a participação de todas as forças vivas para se definir as estratégias e os compromissos morais e políticos a fim de assegurar um sistema credível autárquico e escrutínio geral.

Prof. N’gola Kiluange ( Serafim de Oliveira)

Washington D.C

Prof.kiluangenyc@yahoo.com

English version:

Angola: Eminent and recurring threat to social peace

By Serafim de Oliveira in Washington D.C

With the respective increase in blaming among the United States, China and Russia, emerging countries like Angola may find their embryonic democratic processes compromised. 

Its specific conditions regarding the growing vulnerability of social peace, at least in the last two years, require greater involvement and immediate engagement from all political and social sides. All social strata of Angolan civil society should be involved in the decision-making process for fiscal management of the public purse, as well as the political destiny of the country.

Any attempt at political or economic exploitation, especially by the essential players in national political chess, could raise doubts and distrust, degrade the opportunity for frank and open dialogue. Economic power grabs jeopardize the fragile social coexistence structure.

Widespread social regression, terrifying child prostitution, alarming crime rate, politically motivated accusations and detentions, abusive and reprehensible court sentences, flagrant restrictions and violations of freedom of expression should serve as a moral compass to “improve what is good and correct what is bad”

Apparently, the efforts of government officials to mitigate the growing social problems and ensure their reelection have generated serious conflicts of interest regarding emerging political priorities, both at an economic and political level.

Maintaining power is undoubtedly the ultimate objective of the current leader of the governing party; his political career and that of the MPLA itself is at risk. Remarkably, there is a lack of political will to carry out local elections, and therefore, a lack of elections becomes a deliberate political act of bad faith with disrespect for laws and human dignity.

The waiting game is clearly the best tactic for those looking to outlive the current political climate; they can remain vigilant in search of a political environment favorable to them and their party. Delays approving laws essential to realizing an autarchy  is unequivocal proof of the MPLA’s and its leader’s determination to act without regard for consequences.

However, the process of preparing and scheduling the next general elections may depend on several mitigating circumstances: the unfolding of political and economic relations between the United States, China, and Russia, improvements in the citizen’s quality of life, developments in public services, increase in the number of jobs, and supply of drinking water.

The pre-electoral campaign currently underway in Angola serves not only to attest to fulfilling a proper election schedule, but also an opportunity to observe how the repressive government machine functions during electoral scrutiny. In this case,a counterintelligence apparatus has been mobilized, supported by Chinese and Russian secret services, and Brazilian experts in disinformation campaigns and deceitful political propaganda.

Notably, current pre-election campaign, aggravating circumstances may arise in which the current guardian of political power, in a vain attempt to maintain the status quo, will resort to massive military support and financial assistance from economic powers, preferably Russia or China or both.

The experiences of the past are agonizing and no one can guarantee that this evil political ambition will not be used again by those in power in the country.

Thus, an urgent need exists for a national conference with the participation of all the living forces to define strategies and moral and political commitments to ensure a credible municipal system and general scrutiny.

Author: angolatransparency

-Impulsionar os cidadãos angolanos a questionarem como o erário público é gerido e terem a capacidade de responsabilizar os seus maus gestores de acordo com os princípios estabelecidos na Constituição da República --Boost the Angolan citizens to question how the public money is managed and have the ability to blame their bad managers in accordance with the principles laid down in the Constitution of the Republic-------------- Prof. N'gola Kiluange (Serafim de Oliveira)

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