Angola:mas, haverá ou não eleições autárquicas em 2021?

Washington D.C- Rádio Angola Unida (RAU) – 195ª Edição do programa “7 dias de informação em Angola, apresentado no dia dia 26-11-2020, por Serafim de Oliveira com análises e comentários de Carlos Lopes:

  • O Presidente angolano, João Lourenço, convidou cerca de 100 jovens activistas para um encontro esta quinta-feira no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, para ouvir as suas reivindicações. Até ao momento, o encontro não se realizou. O convite foi dirigido a jovens revolucionários com vista a discutir as reivindicações de maior justiça social e de luta contra a corrupção, que têm sido levantadas nas últimas manifestações em Luanda, algumas delas severamente reprimidas. Até ao momento, o encontro não se realizou. O movimento de activistas desconfia dos propósitos do anunciado encontro com o chefe de Estado, muitos deles declinaram o convite. Para o movimento de activistas os anteriores encontros realizados com o Presidente angolano não responderam às principais reivindicações, nomeadamente, à criação de emprego, maior investimentos nos sectores da educação e saúde e ao combate à extrema pobreza, que afecta a maioria da população angolana. De acordo com fontes oficiais angolana, este encontro solicitado pelo Presidente João Lourenço pretende criar um diálogo com os jovens angolanos com vista a compreender as suas principais preocupações e para que o executivo possa definir políticas sustentáveis para a juventude. Este encontro é visto como uma resposta à pressão feita sobre o Presidente com as manifestações de 24 de Outubro e 11 de Novembro.
  • Em Angola, 11 e 21 de novembro de 2020 são datas que ficaram gravadas na história por assinalarem manifestações marcadas pela violência e repressão policial em Luanda. Mas o motivo que leva tantos jovens a sair à rua é intrinsecamente económico e foi dissecado no “Fórum Angola 2020: Sustentabilidade e Inclusão na Recuperação e Reforma Económica”, organizado pela Chatham House, que decorreu dias 23 e 24 de novembro. Uma das oradoras desta iniciativa online, Sizaltina Cutaia, diretora da OSISA, a Iniciativa Sociedade Aberta para a África Austral, em Angola, traçou à DW o perfil dos manifestantes. “São jovens entre os 20 e os 35 anos, alguns são estudantes de nível universitário, mas a maioria está à procura do seu primeiro emprego. Muitos desses jovens vivem nas periferias e são filhos de zungueiras, trabalhadoras do setor informal”. A ativista adianta ainda que se tratam de jovens “que muitas vezes não têm oportunidades e que têm vivido um pouco à margem. Não beneficiaram do ’boom’ que aconteceu no princípio dos anos 2000 e são jovens que já não compram o discurso da guerra.” Sizaltina Cutaia destaca o grande fosso social que existe em Angola entre a classe média e a classe mais baixa e que o desemprego é a grande preocupação dos jovens. Na Lunda Norte, por exemplo, 80% dos jovens estão desempregados. A nível nacional o número ronda os 56%. A solução, entende Cutaia, não passa pelo Plano de Ação do Governo para a Empregabilidade (PAPE). “[O PAPE] não é um programa propriamente de fomento ou de criação de pequenas e médias empresas, é um programa de formação que distribui kits de jardinagem ou de corte e costura. Pensa-se que isto é que vai alavancar a economia?”.
  • Angola possui 8.4 mil milhões de dólares norte-americanos de reserva internacional, que cobrem cerca de 11 meses de importações. A informação foi prestada nesta terça-feira pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, em declarações à imprensa, no final da 11ª (décima primeira) sessão da Comissão Económica do Conselho de Ministros. Por outro lado, neste trimestre, segundo o responsável, a balança de pagamentos, a nível da sua conta corrente, apresenta um défice de cerca de 1.3 mil milhões de dólares, uma inversão em relação a 2018, por altura da massificação das reformas macroeconómicas no país. Relativamente ao preço do petróleo, José Massano destacou que, desde Setembro último, houve uma recuperação de cerca de 58 por cento, em relação ao trimestre anterior, o que permite também manter o nível de reservas num patamar ainda confortável. Na sessão desta terça-feira, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço, a equipa económica aprovou o relatório de balanço de execução da programação financeira do tesouro nacional referente ao II (segundo) trimestre do corrente ano. O documento reflete os resultados da execução da receita para o período em referência, bem como de execução da despesa, com e sem incidência de tesouraria.
  • “Estamos a apontar para o final de 2021 ou início de 2022 para iniciar o processo de privatização das grandes empresas como a Sonangol ou a Endiama”, disse a governante angolana durante a conferência da Bloomberg Investir em África, que decorre hoje em formato virtual. A venda faz parte da intenção do segundo maior produtor de petróleo na África subsaariana para angariar verbas e reiniciar o crescimento económico positivo que não acontece há cinco anos. Até agora, Angola vendeu 30 empresas através de um programa de privatizações que vai até 2022, cujo total aponta para 195 ativos que estão destinados a ser vendidos. O prazo, no entanto, “depende da rapidez com que será possível organizar estas empresas e da garantia de cumprimento da ‘due dilligence’ [cumprimento das regras processuais internacionais] para capturar o interesse de investidores de qualidade”, acrescentou Vera Daves. Na intervenção que fez na conferência organizada pela Bloomberg, a ministra das Finanças disse que espera que 2021 seja um “ponto de inflexão” na recessão económica que o país atravessa desde 2016, e perspetiva uma estagnação para esse ano. O crescimento, disse, será sustentado no setor não petrolífero, incluindo agricultura e minas, a que se juntam os resultados das reformas lançadas pelo executivo nos últimos três anos. Relativamente à dívida pública, que a ministra elege como a principal prioridade, a par da saúde, Vera Daves disse que não tenciona emitir nova dívida até que as principais praças financeiras internacionais “recuperem a confiança” e assumiu que o Governo está ciente das dificuldades. “Estamos complemente cientes de que este não é um momento fácil”, disse a governante, pedindo paciência aos jovens que nas últimas semanas têm feito várias manifestações em Angola a pedir melhores condições de vida.
  • Os cidadãos de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Principe terão que pagar uma garantia de entre 5.000 e 15.000 dólares americanos para poderem visitar os Estados Unidos, ao abrigo de uma ordem temporária emitida pelo Departamento de Estado. A medida temporária entra em vigor a 24 de Dezembro e prolonga-se até Junho do próximo ano, abrangendo cidadãos de diversos países a maior parte dos quais africanos, cujos cidadãos têm grandes níveis de violação de prazos de visita dos seus vistos de turismo e de negócios. A administração Trump disse que a medida de seis meses servirá para testar a capacidade de se recolher essas fianças e servirá de dissuasão diplomática aqueles que querem violar os prazos de visita ao país. A medida exige que funcionários consulares americanos requeiram a viajantes desses países, em deslocações de turismo e negócio com um nível de violação de mais de 10% em 2019, que paguem uma quantia reembolsável que pode ser de 5.000, 10.000 ou 15.000 dólares. Entre os países abrangidos conta-se além dos quatro países de lingua portuguesa, a República Democrática do Congo Libéria, Sudão, Chad, Burundi, Djibouti, Eritreia, Gambia, Mauritânia Burkina Faso, Líbia e ainda Afeganistão, Butão, Irão, Síria, Laos and Iémen.

RAU – Rádio Angola Unida – Os programas da Rádio Angola Unida (RAU) são apresentados e produzidos em Washington D.C.Perguntas e sugestões podem ser enviadas para Prof.kiluangenyc@yahoo.com

Author: angolatransparency

-Impulsionar os cidadãos angolanos a questionarem como o erário público é gerido e terem a capacidade de responsabilizar os seus maus gestores de acordo com os princípios estabelecidos na Constituição da República --Boost the Angolan citizens to question how the public money is managed and have the ability to blame their bad managers in accordance with the principles laid down in the Constitution of the Republic-------------- Prof. N'gola Kiluange

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