Angola: convivência social vs. «violência gratuita»

Angola: convivência social vs. «violência gratuita»

Por Prof. N’gola Kiluange

Washington DC- O 27 de Maio de 1977 talvez seja o melhor exemplo ilustrativo da nossa “horrorífica tragédia histórica” para que possamos compreender a magnitude exata do efeito do «chicote psicológico»  — ainda enraizado no subconsciente social nacional, quanto à recorrente «violência gratuita».

Dói muito saber que ao invés de transmitirmos  à atual geração um «espírito de justiça e  reconciliação» no nosso seio… vamos propagandeando dizeres bombásticos capazes de atiçar os apetites dos saudosistas ao regresso à guerra civil no nosso país. ….

Os que deviam escrever sobre  as cicatrizes, pragas e maldições do 27 de Maio como transmissão intergeracional da memória…  morrem naturalmente ou em circunstâncias suspeitas… levando para as suas respectivas covas preciosas informações …

Aqueles que ficam para trás  têm encarado um futuro incerto… muitos são emocionalmente disfuncionais, alcoólicos, traumatizados , apavorados e abandonados pelas suas próprias sortes….

Hoje,visivelmente, o dedo leve no gatilho aparece como o melhor antídoto para «silenciar o pensar diferente», em detrimento de um diálogo aberto e franco sobre questões de convivência social,liberdade de participação democrática na vida política,liberdade de pensamento, liberdade individual, engajamento compromisso público e privado na gestão rigorosa dos fundos do tesouro nacional,etc.

Convenhamos que o princípio moral de governação não reside apenas nos resultados eleitorais; é um processo contínuo de inclusão social,reconciliação, mudança, aprendizagem e evolução,etc., baseado num método aberto de interesse comum de todos os seus intervenientes. 

Ora bem, se o acesso à riqueza nacional,distribuição equitativa de rendimentos,saneamento básico e educação, serviços de habitação,oportunidades suficientes de emprego,etc., não refletirem na vida quotidiana dos nossos cidadãos — há aqui uma necessidade premente de “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”.

A inclusão social, por exemplo, poderia jogar aqui um papel preponderante através do envolvimento ético-profissional de quadros nacionais (e não só), provenientes de toda a estratificação social, independemente do valor político, religioso, orientação sexual individual,etc., e capacidade física.

Logo, urge estabelecer de modo sistemático e com visão um diálogo estruturado no intuito de aperfeiçoar a nossa sociabilidade ou capacidade de amor ao próximo, respeito às diferenças sociais, raciais e religiosas,políticas,etc., em prol do bem comum.

A escolha é nossa!

Prof. N’gola Kiluange (Serafim de Oliveira)

Washington DC

Prof.Kiluangenyc@yahoo.com

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  • Translation of ‘Freestyle’ :

Angola: social coexistence vs. «gratuitous violence»

By Prof. N’gola Kiluange

Washington DC- May 27, 1977 is perhaps the best illustrative example of our “horrific historical tragedy” so that we can understand the exact magnitude of the effect of the “psychological whip” still rooted in the national social subconscious, regarding the recurrent “gratuitous violence”.

It hurts a lot to know that instead of transmitting to the current generation a “spirit of justice and reconciliation” in our midst … we are propagating bombastic sayings capable of stoking the appetites of the nostalgic for the return to civil war in our country.

Those who should write about the scars, plagues and curses of May 27 as intergenerational transmission of memory … die naturally or in suspicious circumstances … taking precious information to their respective graves.

Those left behind have faced an uncertain future … many are emotionally dysfunctional, alcoholic, traumatized, terrified and abandoned by their own fate.

Today, visibly, the light finger on the trigger appears as the best antidote for “silencing different thinking”, to the detriment of an open and frank dialogue on issues of social coexistence, freedom of democratic participation in political life, freedom of thought, individual freedom , public and private engagement in the strict management of national treasury funds, etc.

But let’s face it, the moral principle of governance does not lie only in electoral results; it is a continuous process of social inclusion, reconciliation, change, learning and evolution, etc., based on an open method of common interest to all its stakeholders.

Now, if access to national wealth, equitable income distribution, basic sanitation and education, housing services, sufficient employment opportunities, etc., do not reflect in the daily lives of our citizens – there is an urgent need here to “improve what’s good,correct what’s bad”.

Social inclusion, for example, could play a leading role here through the ethical-professional involvement of national staff (and not only), coming from all social stratification, regardless of political, religious, individual sexual orientation, etc., and physical ability.

Therefore, there is an urgent need to establish a structured dialogue with a view to improving our sociability or capacity to love our neighbor, respecting social, racial and religious, political differences, etc., in favor of the common good.

The choice is ours!

Prof. Ngola Kiluange (Serafim de Oliveira)

Washington DC

Prof.Kiluangenyc@yahoo.com

Author: angolatransparency

-Impulsionar os cidadãos angolanos a questionarem como o erário público é gerido e terem a capacidade de responsabilizar os seus maus gestores de acordo com os princípios estabelecidos na Constituição da República --Boost the Angolan citizens to question how the public money is managed and have the ability to blame their bad managers in accordance with the principles laid down in the Constitution of the Republic-------------- Prof. N'gola Kiluange (Serafim de Oliveira)

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