Angola: Como a ambição de José Eduardo dos Santos hipoteca o oxigénio das gerações vindouras!

Russia's President Putin and Angola's President Jose Eduardo dos Santos meet for talks in Moscow
Russia’s President Vladimir Putin (R) and Angola’s President Jose Eduardo dos Santos meet for talks in Moscow October 31, 2006. REUTERS/ITAR-TASS/PRESIDENTIAL PRESS SERVICE (RUSSIA) – RTR1IV4M

Como a ambição de José Eduardo dos Santos hipoteca o oxigénio das gerações vindouras!

Por Prof. N’gola Kiluange

Washington D.C — Diferem-se os dados estatísticos apresentados por economistas “notáveis” (nacionais ou internacionais) sobre o status quo da nossa economia.

Verdade seja dita também aqui que só o facto da Casa Civil da Presidência da República ter o controlo absoluto da gestão informática de documentos relativos à nossa economia, oferece-la oportunidades incríveis de manipulação de quaisquer uns desses dados, com propósitos políticos ou pessoais!

Mas, falemos antes de tudo… sobre a nossa coexistência sócio-espacial e sociabilidade para compreendeermos os mistérios invisíveis envoltos no quotidiano nacional :ilusão vs. realidade!

Convenhamos aqui também que muitas das decisões de grandes envergaduras (quer económica ou política!) tomadas em nosso próprio nome– jamais tiveram alguma aprovação nossa ou posta em debate público!…

É aqui onde reside a nossa maior instabilidade social: termos permitido a um único indivíduo controlar e moldar a seu bel-prazer o pensar diferente dentro dos nossos limites fronteiriços e Deus sabe em que raios mais!

A título de exemplo, os contratos firmados pelos governos de Angola e a China continuam ainda selados e colocados sob “segredo de Estado”, enquanto os chineses se apoderam da nossa fragilidade social e debilidade institucional …

No entanto, a filiação do Presidente da República à máfia russa-chinesa terá sido provavelmente a maior afronta à nossa Constituição e soberania nacional!!!..

Segundo consta, a sua avidez pelo enriquecimento ilícito parece ter começado no decurso ou últimos anos da nossa guerra civil, que ceifou milhares de vidas inocentes!

Nas suas declarações durante o julgamento do “caso Angolagate ( troca de armas por petróleo)” em Paris, Jean-Christophe Mitterrand confessou ter posto em contacto “o Presidente angolano com dois empresários: o bilionário israelita de origem russa Arkady Gaydamak, de 56 anos, e o francês Pierre Falcone, de 54 anos”, segundo o Telegraf no seu artigo de Henry Samuel publicado em Outubro de 2008 :“Julgamento de ‘armas por petróleo’ de Angolagate abre em Paris” .

Contudo, “os promotores afirmaram que o par embolsou milhões antes de distribuir maços de dinheiro aos funcionários franceses e angolanos, em troca de favores políticos e comerciais”…

O Finacial Times divulgou em 3 de Outubro de 2016 que a Fundação Mo Ibrahim havia acusado os países africanos exportadores de petróleo (incluindo Angola, claro está!) de “desperdiçaram uma década de oportunidades económicas”, mostrando assim “quão pouco progresso fizeram em suas fortunas fora do desmame do petróleo”.

Essa instituição recorda ainda que num período de dez anos esses países só investiram 2,9% dos lucros obtidos na comercialização do “ouro negro” para a diversificação das suas respectivas economias!

Entretanto, o economista Alves da Rocha, Director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, afirmou recentemente que entre 2002 e 2014 a nossa receita de exportação de petróleo alcançou $461,8 mil milhões e os fundos fiscais provenientes do petróleo somaram cerca de $285 bilhões, enquanto que os investimentos públicos só totalizaram 93,5 bilhões de dólares…

O que significa a dizer que num período de 12 anos o regime de José Eduardo dos Santos arrecadou cerca de 746.8 mil milhões de dólares da nossa comercialização petrolífera, investindo apenas 93,5 bilhões desse montante na coisa pública.

Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza.

Em Angola, o fim do confronto militar, económico e beligerante entre os E.U.A ( e seus alinhados) vs. países comunistas liderados pela antiga União Soviética – durante a guerra fria, acabou por criar um tubo de vácuo para a ascensão subervesiva da máfia russa-chinesa, sob cumplicidade do regime no poder!

Nos últimos instantes da guerra civil, Dos Santos fingiu compreender rapidamente a linguagem da política ocidental, vai à Washington DC para aí aproveitar descredibilizar o seu maior rival político apoiado pelos Estados Unidos em troca de maiores acessos das companhias petrolíferas americanas no mercado angolano – supostamente!

Mas, o que ficou oculto nos seus encontros com as altas individualidades de negócio americano – foi o seu envolvimento com Xu Jinghua [Sam Pa] de que resultou na criação das seguintes empresa todas pertencentes alegadamente à este último : China-Sonangol Internacional, Ediama Sonangol, China Sonangol Finance International Ltd.,China Sonangol Gas International Ltd.,China Sonangol International Ltd.,China Sonangol International Holding Ltd.China Sonangol Natural Resources International Ltd., China Sonangol International Investment Ltd., China Sonangol Natural Resources International Ltd.,Sonangol Sinopec International Ltd, China Endiama International Limited, China sonangol singapore, China sonangol shanghai petroleum co ltd, China sonangol wall street, china sonangol international airlines, Endiama China International Holding Ltd,etc?

Tivessem essas personalidades americanas – antecipadamente! – conhecimento de tais negociatas, o nosso actual xadrez político podia ter uma outra dimensão no sentido lato da palavra.

A China de Xí Jìnpíng não tem outra alternativa senão continuar a financiar os caprichos da corrupção em Angola…

Aliás, enquanto os seus contratos com o governo de José Eduardo dos Santos mantiverem-se muito bem escondidos do nosso “olho público” e Xu Jinghua (Sam Pa) ainda for uma responsabilidade moral perante a elite corrupta associada ao Partido Comunista Chinês, escusado será falar de princípios democráticos em Angola, ou tão transparência e fiscalização dos acordos chino-angolano…

Como a máfia chinesa controla o mercado angolano!

Segundo a Financial Times (FT), quando a Sonangol Sinopec International ( conglomerado de empresas petrolíferas estatais angolana e chinesa, Sonangol e Sinopec, respectivamente) compraram a participação da Shell em 2004 no Bloco 18 – “o interesse de Angola não foi retido diretamente pela empresa estatal de petróleo , mas pela China Sonangol, que é uma companhia mista da rede de Queensway de Pa”.

Ainda de acordo com a FT, os interesses do Queensway Group no Bloco 18 em 2010 eram estimados em mais de $960m.Hoje, esse projecto produz mais 180,000 mil barris de petróleo por dia.

Contudo, numa carta endereçada a FT, a China Sonangol confirmou que o Presidente da Companhia era o então Chefe da Sonangol (Manuel Vicente), informação essa que também foi mais tarde corroborada pela Maka Angola depois deste ter sido nomeado Vice-Presidente da República em 2012.

Segundo o livro de Marcus Power e Ana Alves Cristina intitulado “China and Angola: A Marriage of Convenience? (Angola e China Casamento por Conveniência?)”, Filomeno de Sousa dos Santos é o representante da China Sonangol International Holding (CSIH) em Angola.

Membros da nossa contra-inteligência (integrantes da comitiva presidencial aquando da última visita de José Eduardo dos Santos à China), confirmam terem visto encontros secretos de Isabel dos Santos com Lo Fong Hung, Wu Yang, Zheng Gang,Verónica Fung…

Assim, a filha primogénita do nosso Chefe de Estado conseguiu não só assegurar novas linhas de crédito e empréstimo (sob proteção e concluo da “The 88 Queensway Group”) com o governo chinês, mas também afastar quaisquer elementos incriminatórios sobre a participação de seu pai nesse grupo, através dos seguintes cidadão angolanos:

a.) Endiama China International Holding Limited.Propriedade: Empresa Nacional de Diamantes de Angola ,E.P. (Endiama) 55%, New Corporate International Limited 45%. Diretoria: Lo Fong Hung, António de Jesus Matias, Zheng Gang, Manuel Arnaldo Sousa Calado.

b.) Global Investments Fund Limited.Propriedade: Gold Ascent Limited (100%).Diretoria: Lo Fong Hung, Verónica Fung, Manuel Vicente, Francisco de Lemos José Maria.

  1. Sonangol Asia Limited.Propriedade: China Beiya Escom International Limited 70%, Sonangol ,E.P. 30%.Directoria: Lo Fong Hung, Wu Yang, Manuel Vicente.d.) Worldpro Development Limited.Propriedade: World Noble Holdings Limited (100%)Directoria: Lo Fong Hung, Manuel Vicente, Francisco De Lemos José Maria, Moshe Hallak.

E…se a internacionalização do conflicto angolano era um facto para se acabar com a guerra, hoje esse “conceito” é usado para a permanência do nosso status quo com o leilão do petróleo de Cabinda na mesa e todas ofertas dos recursos minerais da República Democrática do Congo…

Estamos a mercê da vontade de um grupo de indivíduos que procuram protagonismo no desfecho da guerra Síria, República Democrática do Congo, etc., para nos impor compromissos por si assasinados ( em nosso nome!) com a máfia chino-russa!

E a questão primordial aqui… acima de tudo… é o déficit público da sua participação no exercício da cidadania nacional…como pensar então na restauração do direito cívico consagrada na nossa Constituição com todas suas estruturas nacionais sustentadas por uma máfia nacional e estrangeira?

Há aqui dois temas a considerar:

  1. ou tenhamos em conta as inquietações dessa juventude marginalizada –imediatamente!
  2. ou ela acaba por não se identificar com as práticas vs. realidades fantasiadas pelos seus antecessores – isso chama-se ruptura social.

É má-fé moral e política depositarmos falsas esperanças em resultados eleitorais com potências sacrifícios humanos…porque o diálogo entre nós nunca devia ser um símbolo de filiação política… caso contrário estaríamos a crucificar e alienar uma toda cívica.

A escolha é nossa!

Prof.N’gola kiluange ( Serafim de Oliveira)

Prof.kiluangenyc@yahoo.com

Washington D.C

Dados bibliográficos

China and Angola: A Marriage of Convenience? (Angola China Casamento por Conveniência?)

By Marcus Power, Ana Alves Cristinahttps://books.google.com/books?id=8r47fBv2zlUC&pg=PA50&dq=Jose+Filomeno+%22Zenu%22+dos+Santos&hl=en&sa=X&ved=0ahUKEwiG1qXMh67LAhWBXB4KHUyQCw8Q6AEIIjAB#v=onepage&q=Jose%20Filomeno%20%22Zenu%22%20dos%20Santos&f=false

a.) Angolagate ‘arms for oil’ trial opens in Paris

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/france/3146113/Angolagate-arms-for-oil-trial-opens-in-Paris.html

b.) African oil exporters wasted economic opportunity, study claims

https://www.ft.com/content/e3e3dc00-893f-11e6-8aa5-f79f5696c731

Author: angolatransparency

-Impulsionar os cidadãos angolanos a questionarem como o erário público é gerido e terem a capacidade de responsabilizar os seus maus gestores de acordo com os princípios estabelecidos na Constituição da República --Boost the Angolan citizens to question how the public money is managed and have the ability to blame their bad managers in accordance with the principles laid down in the Constitution of the Republic-------------- Prof. N'gola Kiluange (Serafim de Oliveira)

One thought on “Angola: Como a ambição de José Eduardo dos Santos hipoteca o oxigénio das gerações vindouras!”

Leave a Reply

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.