Angola: luta pelo poder no seio dos camaradas vs. fiasco eleitoral

Por Prof. N’gola Kiluange

Washington D.C — No nosso país, a adjudicação de contractos públicos ou privados expõe a luta renhida entre grupos de interesses pelo acesso aos recursos naturais, ingresso no mercado de trabalho, disputa de influência e poder, etc., no seio do partido governante.

Acesso aos recursos naturais

Se, por um lado, os empenhos de alguns desses grupos de interesses, pelo menos nos últimos dezanove anos, limitavam-se essencialmente à prática da mendicidade organizada para a obtenção de fabulosos contratos públicos e privados, hoje os centros das suas atenções focam-se na monopolização e aquisição de informações precisas e detalhadas sobre as matérias-primas nacionais mais rentáveis.

Assim, os esforços envidados e os mecanismos utilizados por alguns dos quais incorrem muitas das vezes em más práticas de negócios — uso sistemático da detenção arbitrária de convênios com órgãos públicos e privados através de subornos ou concussão e corrupção passiva simples e privilegiada.

Ingresso no mercado de trabalho

O aspecto mais deplorável de tudo isto é que uma certa parte desses contratos públicos vêm incluídos com mão-de-obra estrangeira qualificada e inexperiente. Se houvesse muita visão, vontade política e coragem moral para mitigar os antigos e actuais índices elevados de desemprego, o mais lógico seria priorizar a capacitação permanente da força de trabalho nacional, mesmo que para isso fosse necessário o recrutamento de angolanos que vivem na diáspora.

Daí resulta que hoje temos inundado o nosso sector-chave da economia com mão-de-obra estrangeira, muita da qual desqualificada e inútil, sobretudo, no sector de informática, construção civil, saúde, bancária, agrícola, petrolífera, diamantífero, hoteleiro, serviços de assessoria e consultoria, etc.

Disputa de influência e poder

A disputa, cada vez mais frontal e aberta, pelo poder político, económico e militar nas fileiras do partido reinante mostra a grande vulnerabilidade das estruturas estatais nacionais, periga a nossa convivência social, engendra exigências de natureza diversas alheias à vontade livre e democrática do povo angolano.

Acontece que o respaldo jurídico, cívico e social do funcionamento normal de todas nossas instituições governamentais e dos valores da moral pública não se limitam apenas ao cumprimento de regras eleitorais, principalmente quando existe uma luta pelo poder político à custa da população e só Deus sabe a mando de quem.

Por conseguinte, sem acesso aos meios de comunicação social públicos e privados (independentes e imparciais), recurso financeiro público previsto na constituição para o financiamento dos partidos políticos, registo eleitoral credível e transparente, participação cívica activa, segura, livre e justa, é ilusório esperar um processo de eleição democrática enquanto todas essas desavenças persistirem no centro do processo de decisão política deste país.

———————— — English version ———————-

Angola: struggle for power among comrades versus electoral fiasco

Washington D.C — In our country, the award of public or private contracts by the governing party exposes the fierce struggle between interest groups for access to natural resources, entry into the labor market, and the dispute for influence and power within the party. 

Access to natural resources

Even if the efforts of some of these interest groups over the last nineteen years or so were essentially limited to the practice of organized begging to obtain exorbitant public and private contracts, more recently, their attention appears fixed on monopolizing and acquiring accurate and detailed information about the most profitable national raw materials.

Thus, the efforts and mechanisms used by some groups often support inadequate and corrupt business and governing practices. For example, they use systematic and arbitrary detention of agreements with public and private bodies through bribes or concussion and simple and privileged passive corruption.

Entry into the labor market

The most deplorable aspect of the situation is that a particular part of these public contracts is included with skilled and inexperienced foreign labor. Suppose there were broad vision, political will, and moral courage to mitigate the past and current high unemployment rates. In that case, the most logical course is prioritizing the national workforce’s permanent training, even if it was necessary to recruit Angolans living in the diaspora.

As a result, today, we have flooded our crucial sectors of the economy with foreign labor, many of whom are unskilled and ineffective, especially in IT, civil construction, health, banking, agricultural, oil, diamond, hotel, advisory, and consulting services.

Dispute for influence and power

The increasingly frontal and open dispute for political, economic, and military power among the ruling party ranks demonstrates the significant vulnerability of national state structures, endangers our social coexistence, engenders demands of a diverse nature that are alien to the free and democratic will of the Angolan people.

It turns out that the legal, civic, and social support for the normal functioning of all our governmental institutions and public morals are not limited to compliance with electoral rules. The limitation cannot exist, especially during a struggle for political power at the expense of the population without knowledge of who controls that struggle.

Without access to public and private media that are independent and impartial, public financial resources for political parties as provided in the constitution, including credible and transparent electoral registration, active, safe, accessible, and fair, civic participation, are illusory to expect a democratic election process. However, all these impediments discussed here persist at the heart of this country’s political decision-making process. 

Prof. N’gola Kiluange (Serafim de Oliveira)

Prof.kiluangenyc@yahoo.com

Washington D.C

Author: angolatransparency

-Impulsionar os cidadãos angolanos a questionarem como o erário público é gerido e terem a capacidade de responsabilizar os seus maus gestores de acordo com os princípios estabelecidos na Constituição da República --Boost the Angolan citizens to question how the public money is managed and have the ability to blame their bad managers in accordance with the principles laid down in the Constitution of the Republic-------------- Prof. N'gola Kiluange (Serafim de Oliveira)

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