Angola: marasmo político…julgamento de Manuel Rabelais – mas, afinal onde estão os corruptos?

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https://www.blogtalkradio.com/profkiluangenyc/2021/04/16/angola-produo-petrolfera-vs-tecnologia-e-guas-profundas

Washington D.C – Rádio Angola Unida (RAU) – 212ª Edição do programa “7 dias de informação em Angola, apresentado no dia 15-4-2021, por Serafim de Oliveira com análises e comentários de Carlos Lopes:

  • O antigo gestor do extinto Gabinete de Revitalização da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (Grecima), Manuel Rabelais, e o seu assistente, Hilário Alemão, vão aguardar em liberdade o julgamento do recurso interposto pela defesa junto do plenário do Tribunal Supremo (TS). O também deputado do MPLA, com mandato suspenso, foi condenado a 14 anos e seis meses de prisão e o seu assistente a 10 anos e seis meses de cadeia pelos crimes de peculato e de branqueamento de capitais na gestão da instituição, que terá resultado num desfalque equivalente a mais de 117 milhões de dólares, em 2016 e 2017. Para já, os prazos para a decisão em segunda instância não são rigorosamente cumpridos em Angola e, entretanto, uma amnistia ou um indulto presidencial pode anular as penas aplicadas. Esta é a opinião dos advogados Salvador Freire e Pedro Caprecata, quando questionados pela VOA sobre o facto de muitos recursos entregues a tribunais superiores nunca serem analisados, deixando os condenados praticamente livres. No entanto, Salvador Freire, líder da organização Mãos Livres, considera a suspensão das penas, decidida na segunda-feira pelo juiz, um procedimento jurídico normal despido de qualquer interesse que, subjectivamente, possa ser entendido como visando favorecer os implicados. O jurista diz não haver qualquer dualidade de critérios entre este processo e o que envolveu o também deputado e antigo ministro dos Transporte dos Transportes, Augusto Tomás, que antes do julgamento já se encontrava em situação de prisão preventiva. “São normas estabelecidas e não é que uns sejam melhores que outros”, defende. O jurista Pedro Capracata também diz concordar com o princípio judicial aplicado pelo TS mas chama a atenção para o que qualifica de “processos de combate à corrupção que utilizam o jurídico para atingir fins políticos”. A aguardar pelo julgamento do recurso estão também o ex-presidente do Fundo Soberano de Angola, José Filomeno dos Santos “Zenu”, e Valter Filipe, acusados do desvio de 500 milhões de dólares no conhecido “no caso BNA”. O filho do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, e o antigo governador do Banco Nacional Angola foram condenados, em Agosto de 2020, a cinco e oito anos de prisão, respectivamente, pelo crime de burla por defraudação, na forma continuada e tráfico de influências.
  • Jorge Mendes Manuel acusa a polícia de disparar contra tudo e todos à queima-roupa em Cacuaco. O jornalista da Rádio Despertar, Jorge Mendes Manuel, detido na passada quarta-feira, 7, já está em liberdade com termo de identidade e residência. Ele foi detido no Cacuaco, arredores de Luanda, quando as autoridades preparavam-se para fazer demolições de casas na zona do Sequele. Como a VOA informou ontem, o director interino da Rádio Despertar, Queiroz Siluvia, disse que o jornalista foi detido enquanto cobria a demolição das casas, mas o porta-voz da Polícia Nacional (PN), Nestor Goubel, assegurou que em nenhum momento ele se identificou como tal e foi considerado invasor de terras. Em entrevista à VOA nesta terça-feira, 12, Jorge Manuel, nega a versão apresentada pela PN. “Uma coisa é estar identificado, outra é não estar, eu estava identificado e as forças quando chegaram começaram a fazer disparos a tudo e a todos, não houve tempo para se identificar”, diz o jornalista que acusa as forças de defesa e segurança de fazerem disparos e espancarem muitos populares no momento das detenções. “Eles no local espancaram muitos populares e fizem muitos tiros à queima-roupa”, reitera Jorge Manuel que voltará a ser ouvido pelo tribunal na segunda-feira, 19. Recorde-se que o porta-voz da PN, Nestor Goubel, disse que “em nenhum momento ele identificou-se como jornalista e no dia em que as autoridades estavam a destruir as cubatas, ele fez parte do grupo de jovens que criou barricadas na zona em que estavam a partir as casas”..
  • Uma praga de gafanhotos está a dizimar culturas no sul de Angola fazendo agudizar ainda mais a possibilidade de fome na região. Uma invasão de milhões dos insectos que antes de poisarem parecem nuvens escuras de chuvajá arrasou culturas de camponeses no Kuando Kubango e no Cunene. Nesta última provincia os gafanhotos devoraram todas as lavras localizadas em mbala yo mungo, marco 12 Mongua e Caluheque. A informação foi prestada pelas comunidades locais que perderam as suas culturas. Desconhece-se até aqui os estragos causados na da cintura verde do Cunene em Cuvelai. No Kuando Kubango até as árvores têm sido atacadas pelos insectos. O ministro angolano da Aricultura, Pescas e Florestas, António Assis avisou que ‘é de prever “novas incursões nos próximos dias” acrescentando que é preciso começarem a tomar-se medidas adequadas para lidar com o problema. “Nós vimos quer no Cunene como no Kuando Kubango algumas práticas, as famílias, os cidadãos ….usam as armadilhas tradicionais, tocam as latas para tentar afugentar, isso não resolve o problema”, disse. Em Ondjiva no Cunene o Padre Gaudencio Felix Yakulengue disse que a passagem dos gafanhtos pela cidade no fim-de-semana foi “assustadora” e residentes mais velhos disseram “nunca ter visto uma situação daquelas”.
  • Angola produziu 1,163 milhões de barris de petróleo em março, mais 40.000 face a fevereiro, segundo o relatório mensal da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) hoje divulgado. Os registam valores publicados, com base em dados de fontes secundárias, um aumento da produção, depois de uma quebra de 38 mil barris por dia em fevereiro, face ao mês anterior. Em janeiro, a contagem da OPEP assinalou 1,161 milhões de barris diários, sendo que esta produção viria a baixar no mês seguinte, para 1,123 milhões de barris por dia. Angola é agora o terceiro maior produtor africano de crude na OPEP, atrás da Nigéria e da Líbia, que viu um aumento na sua produção nos últimos meses. A Nigéria, líder africana na produção petrolífera, viu a sua produção diária aumentar para 1,481 milhões de barris em março, com um ligeiro aumento de oito mil barris por dia. Já a Líbia, que ultrapassou, de acordo com os dados da OPEP, a produção angolana em fevereiro, produziu em março 1,196 milhões de barris por dia. Durante praticamente todo o ano de 2016 e até maio de 2017, Angola liderou a produção de petróleo em África, posição que perdeu desde então para a Nigéria. A produção na Nigéria foi condicionada, entre 2015 e 2016, por ataques terroristas, grupos armados e instabilidade política interna. O mais recente relatório da OPEP refere também que, em termos de “comunicações diretas” à organização, Angola terá produzido 1,138 milhões de barris por dia em março, cerca de mais mil barris por dia que no mês anterior.
  • Ativistas dizem que João Lourenço “ilude-se” ao pensar que será reeleito por “pescar” figuras com imagens gastas. A indicação de políticos da era JES para altos cargos do MPLA é vista como um sinal de perda popularidade. Após terem sido afastados da liderança do Movimento pela Libertação de Angola (MPLA) depois de João Lourenço assumir a presidência do partido que governa Angola, Rui Falcão, ex-governador de Benguela, voltou ao Bureau Político para assumir as funções secretário para Informação. Virgílio Fontes Pereira, que já foi ministro da Administração do Território, volta a ocupar o cargo de presidente do Grupo Parlamentar do MPLA. Também volta em grande, para o topo do partido dos camaradas, o deputado Bento Francisco Bento, o Bento Bento. O político que governou Luanda até 2016, volta a ser o líder do Comité Provincial do MPLA em Luanda, a maior praça eleitoral de Angola. Este mês, o partido realiza uma conferência extraordinária para confirmar a eleição de Bento Bento ao cargo de primeiro secretário do “M” na capital angolana, em substituição a Joana Lina, que vai se dedicar somente ao cargo de governadora de Luanda – província que vive uma crise de saneamento básico há quase três meses. A decisão saiu da quinta sessão ordinária do Comité Central, orientada pelo presidente do MPLA, João Lourenço, realizada na passada terça-feira (06.04), em Luanda. Conhecido como grande mobilizador das massas, Bento Bento dirigiu o MPLA na província de Luanda, entre 2007 e 2016. Neste ano pré-eleitoral, foi “repescado” para o Bureau Político. O regresso destas figuras é um assunto político da semana em Angola. Nas redes sociais, as opiniões divergem quanto à produtividade destas figuras. Afinal, o que vai mudar na política angolana com a “ressurreição” dos “dinossauros políticos”? O analista político Wilson Calunga diz que a nova tática do “xadrezista” JLo vai obrigar a oposição a repensar a sua estratégia. “Tendo em conta que Luanda é a maior praça eleitoral, é sempre importante atualizar as estratégias políticas para se adequar melhor com o tempo e com quem se concorre. A UNITA, por exemplo, teve situações menos boas no seu comité provincial nos últimos tempos, e esse regresso certamente, vai mudar a estratégia política da oposição em Luanda”, diz o analista angolano em entrevista à DW em Luanda. Para Wilson Calunga, visto que a oposição está cada vez mais ativa e que vai ganhando mais apoio da sociedade civil, o país poderá registar mais tensão na disputa política porque o partido no poder não vai querer perder terreno.”Estas alterações ao nível do secretariado provincial vêm mais adequar as estratégias com o tempo que se vive. Estamos num cenário político onde se vê mais atuação da oposição, é importante reenquadrar as estratégias do partido com os militantes com experiência suficiente, com os militantes que têm consigo, capacidade de maior mobilização e maior respostas ao nível do cenário político que se vive no país”.

RAU – Rádio Angola Unida – Os programas da Rádio Angola Unida (RAU) são apresentados e produzidos em Washington D.C.Perguntas e sugestões podem ser enviadas para Prof.kiluangenyc@yahoo.com

Author: angolatransparency

-Impulsionar os cidadãos angolanos a questionarem como o erário público é gerido e terem a capacidade de responsabilizar os seus maus gestores de acordo com os princípios estabelecidos na Constituição da República --Boost the Angolan citizens to question how the public money is managed and have the ability to blame their bad managers in accordance with the principles laid down in the Constitution of the Republic-------------- Prof. N'gola Kiluange (Serafim de Oliveira)

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