Angola: deversificação da economia vs. combate à pobreza… era uma vez o FMI

_ Escute aqui: https://www.blogtalkradio.com/profkiluangenyc/2021/01/08/angola-manifestaes-juvenis-vs-promessas-polticas

Washington D.C- Rádio Angola Unida (RAU) – 199ª Edição do programa “7 dias de informação em Angola, apresentado em 1-7-12-2021, por Serafim de Oliveira com análises e comentários de Carlos Lopes:

  • “A IHS Markit desceu a previsão sobre a evolução da economia depois da queda de 40% da atividade no setor da construção durante o segundo trimestre do ano passado, que contribuiu para que o PIB deva ter caído 6,5% em 2020”, disse Alisa Strobel em declarações à Lusa. A confirmar-se a previsão, Angola terá registado o quinto ano consecutivo de crescimento económico negativo, com o Governo a estimar uma crescimento económico nulo ou perto de zero em 2021, de acordo com a revisão do Orçamento do Estado aprovada em dezembro na Assembleia Nacional. Questionada sobre as previsões para Angola em 2021, a economista disse que “a moeda nacional deverá continuar a depreciar-se no primeiro semestre deste ano, a inflação deverá ficar mais alta e as taxas de juros mais elevadas, o que vai continuar a limitar o crescimento do rendimento disponível dos consumidores”. Isto, acrescentou, “vai levar a uma retoma do consumo privado mais fraca, o que vai abrandar a retoma económica em 2021”. Por outro lado, “uma recuperação modesta nos preços do petróleo será fundamental para estimular o crescimento, principalmente durante a segunda metade de 2021, com uma recuperação a produção e a exportação de crude, mas o desemprego continua notavelmente elevado, e a pobreza será prevalente na economia angolana a médio prazo”. Sobre o programa de privatizações das empresas públicas angolanas, a economista Alisa Strobel diz que isso “será positivo para a recuperação dos setores dos serviços e da produção artesanal em 2022”, mas alertou que o crescimento do serviço dos setores já este ano revelará apenas uma recuperação parcial da queda do ano passado. No curto prazo, as reformas na Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) e a privatização de vários ativos não essenciais vão impulsionar receitas e crescimento, “mas apenas a médio prazo, e não a curto prazo”, concluiu.
  • O projeto FRESAN, financiado pela União Europeia, vai disponibilizar 14,6 milhões de euros para financiar projetos de organizações da sociedade civil angolana, de redução da pobreza e vulnerabilidade à insegurança alimentar e nutricional, foi anunciado. Segundo uma nota do Centro Cultural Português a que a Lusa teve hoje acesso, o Projeto FRESAN – Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional em Angola, gerido parcialmente e cofinanciado pelo instituto Camões abriu candidaturas até 30 de março para o cofinanciamento de organizações da sociedade civil. O valor disponibilizado de 14,6 milhões de euros vai subvencionar ações de fortalecimento sustentável à insegurança alimentar e nutricional nas províncias do Cunene, Huíla e Namibe. “O convite divide-se em dois lotes para uma subvenção máxima de 1.500.000 euros por projeto em cada lote”, refere-se na nota. Para o primeiro lote, está prevista a subvenção de atividades com foco em pastos e incluindo produtos florestais não madeireiros, processamento, preservação e transformação de produtos alimentares, canais e redes de comercialização e reservas de alimentos. O lote dois refere-se a atividades com foco em água e incluindo prevenção e gestão da desnutrição. O projeto FRESAN já apoiou nove projetos, no valor de 10.019.917 euros, nas três edições anteriores. “A iniciativa faz parte de um esforço conjunto da União Europeia com o Governo de Angola para promover a resiliência de comunidades afetadas pela seca e ameaçadas pelos efeitos das alterações climáticas no sul de Angola, dando oportunidade a organizações da sociedade civil, de acordo com as suas áreas de atuação, experiência e as necessidades das comunidades junto das quais intervêm, de apresentarem propostas para apoiar a melhoria da segurança alimentar e nutricional”, sublinha-se na nota.
  • Jovens ativistas angolanos e atores da sociedade civil marcham no próximo sábado, na província do Uíje, norte de Angola, para protestar contra as “dificuldades socioeconómicas” e exigir “alternância no poder no país”, anunciou esta terça-feira a organização. Segundo o ativista Jorge Kisseque, um dos organizadores da marcha, a manifestação “será pacífica” e visa “exigir a alternância no poder em Angola” por considerar que o “atual Governo constitui um obstáculo para a edificação de uma Angola inclusiva para todos”. “Impedindo desta forma a realização da vontade do povo soberano como é o caso da não-fixação da data das autarquias locais, a não mobilização de condições múltiplas para a criação de um sistema de saúde, educação, saneamento básico, acesso à água, ao emprego, aos transportes públicos e de qualidade”, afirmou hoje Jorge Kisseque, em declarações à Lusa. A marcha agendada para sábado deve decorrer sob o lema “45 anos é muito, MPLA fora”, porque, para o ativista, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975) “é o responsável pelos problemas básicos que afetam milhares de angolanos há 45 anos”. “Como está claro, com o MPLA no poder esses problemas básicos não serão resolvidos”, argumentou, convidando os cidadãos das restantes províncias angolanas a se solidarizarem com a iniciativa. Kisseque, que diz ter sido “baleado com sete tiros nos pés”, em agosto de 2020, um dia antes de uma manifestação por si organizada, considera também que a “alternância ao poder é a única opção para que os angolanos tenham oportunidades iguais”. “E contribuam na edificação de uma Angola socialmente justa”, notou. De acordo com o ativista, o governo e o comando provincial da polícia no Uíje “já foram informados sobre a realização da manifestação” e uma reunião entre os organizadores da marcha e a polícia local está prevista para manhã de sexta-feira. “Esperamos que polícia nacional assegure a nossa manifestação pacífica e pedimos à comunidade internacional e à Amnistia Internacional para que acompanhem no sentido de não acontecer o que se registou em agosto de 2020 quando fui baleado”, concluiu.
  • A notícia, avançada este sábado pelo semanário “Expresso”, dá conta de que a ação cautelar deu entrada esta semana no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, não sendo ainda conhecidos os fundamentos do processo. A empresária angolana Isabel dos Santos avançou com um processo cautelar contra o Banco de Portugal devido à sua participação no EuroBic, que se encontra arrestada devido ao Luanda Leaks. A notícia, avançada este sábado pelo semanário “Expresso”, dá conta de que a ação cautelar deu entrada esta semana no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, não sendo ainda conhecidos os fundamentos do processo. Segundo o “Expresso”, o EuroBic (no qual a empresária angolana é dona de 43,5%) e as duas entidades, através das quais Isabel dos Santos detém participações no banco (25% pela Santoro Financial e 17,5% pela Finisantoro Holding) surgem como contra-interessados da ação cautelar que Isabel dos Santos apresentou no tribunal de Lisboa. Quer isto dizer que o processo cautelar que visa “impedir uma decisão do supervisor” bancário. Desconhece-se, no entanto, os fundamentos que terão levado à contenda jurídica contra uma decisão do Banco de Portugal. Isabel dos Santos tem a sua posição arrestada, apesar de ser a acionista maioritária do EuroBic. O restante capital está nas mãos do seu sócio Fernando Teles (37%) e de outros investidores, como Sebastião Lavrador, um ex-governador do Banco Nacional de Angola.
  • O Governo angolano lançou um concurso para a recuperação da frota de helicópteros da Polícia Nacional, composta por mais de 20 aeronaves e que “está paralisada na totalidade”, anunciou hoje o Ministério do Interior. “Toda a frota de helicópteros da Polícia Nacional está em terra, paralisada na totalidade, por isso é que o concurso é recuperação da frota, por isso colocámos em concurso a frota para entenderem que é o conjunto de aeronaves, equipamentos de manutenção, pilotos, mecânicos e assistentes”, afirmou hoje o diretor nacional de Infraestruturas e Equipamentos do ministério, Carlos Albino. Em declarações à Lusa, o responsável disse esperar por um grande número de empresas no concurso agora lançado para recuperação da frota de helicópteros da polícia angolana, porque antes mesmo do concurso cinco empresas já haviam manifestado interesse. “Significa que haverá uma adesão desejável e, se calhar, vai superar a expetativa, agora se estarão ou não habilitadas, isto vamos aferir depois, mas a princípio a expetativa é boa”, realçou. O Ministério do Interior angolano lançou na segunda-feira um concurso limitado por prévia qualificação para recuperação/reabilitação da frota de helicópteros da Polícia Nacional, fora do território angolano, no valor de 28,4 mil milhões de kwanzas (35,2 milhões de euros). Em despacho assinado pelo ministro do Interior angolano, Eugénio Laborinho, o órgão ministerial informa que o concurso terá como prazo de execução seis meses e que os candidatos devem ter como “requisitos mínimos” três anos de atividade comprovada. O concurso, que implica a celebração de um contrato público, determina também que os candidatos devem ter também como “requisitos mínimos um relatório financeiro dos últimos três anos de atividade”.

RAU – Rádio Angola Unida – Os programas da Rádio Angola Unida (RAU) são apresentados e produzidos em Washington D.C.Perguntas e sugestões podem ser enviadas para Prof.kiluangenyc@yahoo.com

Author: angolatransparency

-Impulsionar os cidadãos angolanos a questionarem como o erário público é gerido e terem a capacidade de responsabilizar os seus maus gestores de acordo com os princípios estabelecidos na Constituição da República --Boost the Angolan citizens to question how the public money is managed and have the ability to blame their bad managers in accordance with the principles laid down in the Constitution of the Republic-------------- Prof. N'gola Kiluange (Serafim de Oliveira)

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