Angola: o perigo eminente do racismo individual

Angola: o perigo eminente do racismo individualracismo

Por : Prof. N’gola Kiluange
Washington D.C

A par da corrupção, o racismo no nosso país é o flagelo social que mais perversamente nos corroe o orgulho de disfrutarmos todos os privilégios cívicos consagrados na nossa Constituição.

E o triste em tudo isso é que os homens que diziam ter alegadamente lutado outrora contra todas as formas de repressão colonialista –hoje, practicam-na desavergonhosa e impiedosadamente contra os seus próprios pais, irmãos ,filhos, primos, cunhados, genros, amigos, conterrâneos, camaradas, vizinhos,etc.

E são esses mesmos homens os quais acontece termos permitido acesso ilimitado de todo nosso aparelho estatal e erário público!?

Quanto mais distante estivesse do raciocínio da negritude, melhor seria!, assim era moldado o cérebro do homem autóctone angolano…por 500 anos… e, desgraçadamente, ainda o é no quotidiano actual , com mais ênfase no seio de 99% da nossa “maldita” elite (oh, desculpem – parasitas mentais!)

É precisamente nessa elite onde se têm desfilado os maiores desvios de conduta aberrante na nossa sociedade – ostentação desmedida de todos os prazeres e paladares: rancor elevado, sexo, consumo excessivo de droga e álcool , ciúme doentio,vício na maior torpeza do cinismo, riqueza mal-adquirida,favores sexuais sob a forma tipicamente comercializada,”gratidão imeritória”, etc.

Quando, por exemplo, um homem como Bento dos Santos Kangamba dá-se ao luxo de contrabandear prostitutas brasileiras (como se de mercadoria se tratassem), isso em si espelha nitidamente a imbecilidade pura da nossa classe governante.

Não foi apenas uma mera satisfação de fantasias de apetências sexuais descontroláveis… Nada disso! Essa pobre criatura ,obcecada por um determinado tipo de espécie humana, pagou mil vezes mais pelo preço normal do corpo de uma prostituta estrangeira…

Ai, que maldita propaganda invasiva das telenovelas brasileiras e portuguesas!? Seduziu deliberadamente o cérebro de muitos de nós…e fez-nos… nuns autênticos seres impensantes viciados em todo tipo de cirurgias plásticas…

Não se seria, por exemplo, exagero algum dizer que muitos dos assassinatos bárbaros cometidos contra cidadãos pacatos e indefesos durante o 27 de Maio de 1977 tenham sido racialmente motivado…

Aliás os documentos e testemunhos colhidos até muito recentemente poderão provar os rancores raciais movidos por Henrique Teles Carreira “Iko”, Fernando Piedade Dias dos Santos (Nandó), Rodrigues João Lopes (Ludy) e Henrique Santos (Onambwé), etc., contra as suas próprias víctimas antes e depois o 27 de Maio.

Contudo, exitem dois tipos de racismo: o institucional e o individual. O racismo institucional, segundo consta, é assumido publicamente por uma determinada sociedade cujas teorias racias são visíveis e invisíveis em todos seus escalões sociais. E o racismo individual é praticado a nível pessoal ou colectivo.Em Angola, o racismo individual é até certo ponto incentivado deliberada ou ingenuamente por indivíduos pertencentes a classe dirigente, e nalgumas empresas privadas, estatais e multinacionais…

Quando numa sociedade em que 90% da sua população é negra (?) e uma grande parte dos membros dessa mesma raça prefere identificar-se com cores da pele diferente da sua – essa sociedade tem os seus valores morais e cívicos seriamente comprometidos!?

Como resultado hoje, por exemplo, temos negros finos,negros matumbos, cafuzos, cabritos, “mulatos de primeira”, “mulatos de segunda”ou “mulatos de terceira” , brancos de primeira, segunda e terceira categorias,etc.

E o impiedoso e deplorável em tudo isso é que – a forma de racismo individual tem sido mais utilizada por indivíduos supostamente “cultos e educados” como um mecanismo de impor submissão aos seus conterrâneos ou semelhantes!?

O próprio Presidente da República gasta milhões de dólares com o seu filho na “promoção” da homossexualidade com intuitos ocultos , ao invés de incentivar actividades pela igualdade racial em prol da cidadania…[Atenção: o homosexualismo é uma escolha pessoal que merece o seu devido respeito, mas quando usado como agenda questionável – isso é imoral!]

Assim,o racismo individual na nossa sociedade tem as suas raizes devidamente definidas e identificadas: complexo de inferioridade e superioridade que a nossa suposta elite padece!

Infelizmente, esse distúrbio mental tem germinado efeitos nefastos nos tecidos mais vulneráveis da nossa terra: a base tende sempre a copiar os hábitos e costumes da cúpula da sua sociedade…

Basta um só olhar minucioso no conteúdo dos nossos programas radiofónico e televisivo estatal para compreendermos o verdadeiro significado transmitido nas suas messagens: é realmente “degenerativo, degradante e humilhante.”

Hoje falar sobre o crimes raciais na nossa sociedade é ainda um tabu… os abusos domésticos ou públicos raciais que têm causado danos morais devastadores são sempre encobertos e temos até a pouca vergonha de rotularmos esses crimes como ciúmes ou “rixas entre cidadãos”

O nosso racismo individual é igualito ao racismo institucionalizado subversivamente nos sectores económicos chaves e nalgumas multinacionais estrangeiras operantes no nosso país.

Assim, os requisitos exigidos aos candidatos autóctones para as vagas de empregos postuladas por algumas empresas nacionais chaves e estrangeiras são tendenciosas e maliciosas…

Em parte alguma desse mundo alguém permitiria companhias nacionais ou estrageiras exigirem da sua mão de obra local “X” anos de experiências profissionais, formação, principalmente num país em que jovens de idade compreendida entre 21 e 30anos de idades compõem o grosso da sua população…

Quem aceitaria contrair “X” montante de emprestámos da China adicionados com mais de 500 mil chinêses em detrimento do cidadão nacional?

Quem foi que disse que os trabalhos feitos por brasileiros, chineses, franceses,portugueses, etc., no nosso sector financeiro e bancário, petrolífero, bens imóveis, advogacia, construções, etc., não poderia ser feito por quadros nacionais?

A melhor alternativa que o momento nos oferece – é a realização imediata de uma conferência nacional com a participação de todas as forças vivas dessa terra…

O racismo individual ou racismo subversivamente institucionalizado constitui uma grande ameaça à nossa estabilidade social… e essa disfuncionalidade não se resolve nos escrutínios eleitorais.

Hajamos o mais rápido possível antes que o desagradável nos surpreenda!

Prof.N’gola Kiluange
Washington D.C
Prof.kiluangenyc@yahoo.com

Author: angolatransparency

-Impulsionar os cidadãos angolanos a questionarem como o erário público é gerido e terem a capacidade de responsabilizar os seus maus gestores de acordo com os princípios estabelecidos na Constituição da República --Boost the Angolan citizens to question how the public money is managed and have the ability to blame their bad managers in accordance with the principles laid down in the Constitution of the Republic-------------- Prof. N'gola Kiluange (Serafim de Oliveira)

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